Memória

 

O que importa a superfície d’água
Se a vida inteira é relembrar
O abisso do lago negro em minha alma.
Talvez a tortura de um ligeiro olhar
Valha um último adeus
Ao que há tanto venho tentando assassinar.

Mas a superfície não me deixa enxergar
E é apenas a memória
Que sustenta a tragédia acima do espelho escuro
Por intermédio do qual me lanço mais um olhar.

Cada badalada que os sinos do tempo tocam
Pulsam as ânsias da morte em minhas entranhas
E vibram a superfície do espelho negro
Em co-centros que são a porta do abismo em meu coração.

 

                                                                                 Anátema

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